Retenção de caixa e desempenho econômico: o papel da riqueza socioemocional na distinção entre empresas familiares e não familiares

Autores

  • Manuela Gonçalves Barros Universidade Federal de Mato Grosso https://orcid.org/0000-0003-0325-8106
  • César Augusto Tibúrcio Silva Universidade de Brasília (UnB)

DOI:

https://doi.org/10.17524/repec.v20.e3721

Palavras-chave:

Retenção de caixa, Retorno sobre ativos (ROA), Empresas familiares, Riqueza Sociemocional, Controle e Influência Familiar

Resumo

Objetivo: Este estudo analisa a relação entre reservas de caixa e desempenho econômico (ROA), comparando  empresas familiares e não familiares sob a ótica da Riqueza  Socioemocional (SEW), com destaque para os efeitos  exclusivos da SEW estendida para as empresas familiares.  Nessa análise também são considerados o efeito  moderador da dimensão “controle e influência familiar”  (FCI) e do alto endividamento.

Método: A análise baseia-se na abordagem de apostas mistas, interpretando as decisões de retenção de caixa  como trade-offs entre ganhos e perdas potenciais, e utiliza  modelos de regressão, com especificação não linear,  considerando o período de 2010 a 2019. A amostra  compreende 183 empresas listadas na B3, segmentadas em empresas familiares e não familiares.

Resultados: Os resultados indicam uma relação linear e positiva entre reservas de caixa e desempenho apenas em  empresas familiares, enquanto nas empresas não familiares e na amostra total observa-se uma relação não linear em  formato de U-invertido. Além disso, um alto nível de FCI  fortalece os efeitos positivos das reservas de caixa no  desempenho das empresas familiares, estando em linha  com a ideia de que promove maior alinhamento entre  objetivos econômico-financeiros e socioemocionais. O alto  endividamento, por sua vez, não mostrou significância na  relação investigada.

Implicações Práticas e Sociais: Os achados sugerem que o envolvimento de membros familiares na alta governança  pode atuar como um mecanismo relevante na gestão  financeira, favorecendo o desempenho da empresa. Isso  estaria relacionado ao fato de que, nas empresas familiares, um alto nível de FCI facilita o alinhamento entre objetivos  financeiros e socioemocionais, potencializando os  benefícios da retenção de caixa. 

Traduções deste artigo

Biografia do Autor

Manuela Gonçalves Barros, Universidade Federal de Mato Grosso

Manuela Gonçalves Barros é doutora em Contabilidade pela Universidade de Brasília (UnB), Mestre em Ciências na área de Controladoria e Contabilidade pela Universidade de São Paulo (USP) e Bacharel em Ciências Contábeis pela Universidade Federal de Goiás (UFG). Desde 2018, é Professora Assistente na Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), no Departamento de Contabilidade da Faculdade de Administração e Ciências Contábeis. Anteriormente, foi professora efetiva, aprovada em concurso público de provas e títulos, do curso de Ciências Contábeis na Fundação Universidade de Rio Verde (UniRV) e professora contratada no Centro Universitário Alves Faria. Atua, principalmente, em docência e pesquisa em Contabilidade Financeira e Finanças Corporativas.

César Augusto Tibúrcio Silva, Universidade de Brasília (UnB)

César Augusto Tibúrcio Silva é graduado em Administração pela Universidade de Brasília (1983) e em Contabilidade pela Unieuro (2006). Concluiu o mestrado em Administração pela Universidade de Brasília (1988) e o doutorado em Controladoria e Contabilidade pela Universidade de São Paulo (1996). Atualmente, é professor na Universidade de Brasília, onde ensina nos cursos de graduação, mestrado e doutorado em Contabilidade (PPGCont). Também colabora como professor do mestrado na Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN). Ao longo de sua carreira, ocupou diferentes funções administrativas, como coordenador de cursos, chefe de departamento e diretor da FACE/UnB, além de ter contribuído como Decano de Planejamento e Orçamento da Universidade de Brasília. Atualmente é coordenador do PPGCont. Dedica-se à produção acadêmica com publicações em livros, artigos e congressos, além de atuar como revisor e membro de conselhos editoriais em periódicos. Em 2021, recebeu o reconhecimento da Anpcont ao ser incluído no "Hall da Fama", uma honra que reflete sua trajetória na área contábil.

Referências

Anderson, R. C., Mansi, S. A., & Reeb, D. M. (2003). Founding family ownership and the agency cost of debt. Journal of Financial Economics, 68(2), 263–285. https://doi.org/10.1016/S0304-405X(03)00067-9

Baños-Caballero, S., García-Teruel, P. J., & Martínez-Solano, P. (2014). Working capital management, corporate performance, and financial constraints. Journal of Business Research, 67(3), 332–338. https://doi.org/10.1016/j.jbusres.2013.01.016

Bates, T. W., Kahle, K. M., & Stulz, R. M. (2009). Why do U.S. firms hold so much more cash than they used to? Journal of Finance, 64(5), 1985–2021. https://doi.org/10.1111/j.1540-6261.2009.01492.x

Berrone, P., Cruz, C., & Gómez-Mejía, L. R. (2012). Socioemotional Wealth in Family Firms: Theoretical Dimensions, Assessment Approaches, and Agenda for Future Research. Family Business Review, 25(3), 258–279. https://doi.org/10.1177/0894486511435355

Calabrò, A., Minichilli, A., Amore, M. D., & Brogi, M. (2018). The courage to choose! Primogeniture and leadership succession in family firms. Strategic Management Journal, 39(7), 2014–2035. https://doi.org/10.1002/smj.2760

Cambrea, D. R., Ponomareva, Y., Pittino, D., & Minichilli, A. (2022). Strings attached: Socioemotional wealth mixed gambles in the cash management choices of family firms. Journal of Family Business Strategy, 13(3), 100466. https://doi.org/10.1016/j.jfbs.2021.100466

Cennamo, C., Berrone, P., Cruz, C., & Gómez-Mejía, L. R. (2012). Socioemotional Wealth and Proactive Stakeholder Engagement: Why Family-Controlled Firms Care More About Their Stakeholders. Entrepreneurship: Theory and Practice, 36(6), 1153–1173. https://doi.org/10.1111/j.1540-6520.2012.00543.x

Chrisman, J. J., Chua, J. H., & Sharma, P. (2005). Trends and directions in the development of a strategic management theory of the family firm. Entrepreneurship: Theory and Practice, 29(5), 555–576. https://doi.org/10.1111/j.1540-6520.2005.00098.x

Dyer, W. G., & Whetten, D. A. (2006). Family Firms and Social Responsibility: Preliminary Evidence from the S&P 500. Entrepreneurship Theory and Practice, 30(6), 785-802. https://doi.org/10.1111/j.1540-6520.2006.00151.x

Faulkender, M., & Wang, R. (2006). Corporate financial policy and the value of cash. Journal of Finance, 61(4), 1957–1990. https://doi.org/10.1016/j.jfineco.2011.10.013

Fresard, L. (2010). Financial strength and product market behavior: The real effects of corporate cash holdings. Journal of Finance, 65(3), 1097–1122. https://doi.org/10.1016/j.jfineco.2011.10.013

Garvey, G. T. (1992). Leveraging the Underinvestment Problem: How High Debt and Management Shareholdings Solve the Agency Costs of Free Cash Flow. Journal of Financial Research, 15(2), 149–166. https://doi.org/10.1111/j.1475-6803.1992.tb00795.x

Gómez-Mejía, L. R., Campbell, J. T., Martin, G., Hoskisson, R. E., Makri, M., & Sirmon, D. G. (2014). Socioemotional Wealth as a Mixed Gamble: Revisiting Family Firm R&D Investments With the Behavioral Agency Model. Entrepreneurship: Theory and Practice, 38(6), 1351–1374. https://doi.org/10.1111/etap.12083

Gómez-Mejía, L. R., Haynes, K. T., Núñez-Nickel, M., Jacobson, K. J. L., & Moyano-Fuentes, J. (2007). Socioemotional wealth and business risks in family-controlled firms: Evidence from Spanish olive oil mills. Administrative Science Quarterly, 52(1), 106–137. https://doi.org/10.2189/asqu.52.1.106

Gómez-Mejía, L. R., Patel, P. C., & Zellweger, T. M. (2018). In the Horns of the Dilemma: Socioemotional Wealth, Financial Wealth, and Acquisitions in Family Firms. Journal of Management, 44(4), 1369–1397.

Harford, J. (1999). Corporate cash reserves and acquisitions. Journal of Finance, 54(6), 1969–1997. https://doi.org/10.1111/0022-1082.00179

Jensen, M. C. (1986). Agency costs of free cash flow, corporate finance, and takeovers. Corporate Bankruptcy, 76(2), 11–16.

Jiang, D. S., Kellermanns, F. W., Munyon, T. P., & Morris, M. L. (2018). More Than Meets the Eye: A Review and Future Directions for the Social Psychology of Socioemotional Wealth. Family Business Review, 31(1), 125–157. https://doi.org/10.1177/0894486517736959

Kim, C., & Bettis, R. A. (2014). Cash is surprisingly valuable as a strategic asset. Strategic Management Journal, 35(13), 2053–2063. https://doi.org/10.1002/smj.2205

La Rocca, M., & Cambrea, D. R. (2019). The effect of cash holdings on firm performance in large Italian companies. Journal of International Financial Management and Accounting, 30(1), 30–59. https://doi.org/10.1111/jifm.12090

Lind, J. T., & Mehlum, H. (2010). With or without u? the appropriate test for a U-shaped relationship. Oxford Bulletin of Economics and Statistics, 72(1), 109–118. https://doi.org/10.1111/jifm.12090

Loncan, T. R., & Caldeira, J. F. (2014). Estrutura de capital, liquidez de caixa e valor da empresa: estudo de empresas brasileiras cotadas em bolsa. Revista Contabilidade & Finanças, 25(64), 46–59. https://doi.org/10.1111/jifm.12090

López-Gracia, J., & Sánchez-Andújar, S. (2007). Financial structure of the family business: Evidence from a group of small Spanish firms. Family Business Review, 20(4), 269–287. https://doi.org/10.1111/j.1741-6248.2007.00094.x

Lozano, M. B. (2015). Strategic decisions of family firms on cash accumulation. RAE Revista de Administração de Empresas, 55(4), 461–466. https://doi.org/10.1590/S0034-759020150409

Martínez-Sola, C., García-Teruel, P. J., & Martínez-Solano, P. (2018). Cash holdings in SMEs: speed of adjustment, growth and financing. Small Business Economics, 51(4), 823–842. https://doi.org/10.1007/s11187-018-9990-y

Miller, D., & Le Breton-Miller, I. (2014). Deconstructing socioemotional wealth. Entrepreneurship: Theory and Practice, 38(4), 713–720. https://doi.org/10.1111/etap.12111

Miller, D., Le Breton-Miller, I., & Lester, R. H. (2011). Family and Lone Founder Ownership and Strategic Behaviour: Social Context, Identity, and Institutional Logics. Journal of Management Studies, 48(1), 1–25. https://doi.org/10.1111/j.1467-6486.2009.00896.x

Minichilli, A., Brogi, M., & Calabrò, A. (2016). Weathering the Storm: Family Ownership, Governance, and Performance Through the Financial and Economic Crisis. Corporate Governance: An International Review, 24(6), 552–568. https://doi.org/10.1111/corg.12125

Nason, R. S., & Patel, P. C. (2016). Is cash king? Market performance and cash during a recession. Journal of Business Research, 69(10), 4242–4248. https://doi.org/10.1016/j.jfbs.2019.04.002

Nguyen, T. L. H., Nguyen, L. N. T., & Le, T. P. V. (2016). Firm Value, Corporate Cash Holdings and Financial Constraint: A Study from a Developing Market. Australian Economic Papers, 55(4), 368–385. https://doi.org/10.1111/1467-8454.12082

Opler, T., Pinkowitz, L., Stulz, R., & Williamson, R. (1999). The determinants and implications of corporate cash holdings. In Journal of Financial Economics (52(1), 3–46. https://doi.org/10.1016/s0304-405x(99)00003-3

Ozkan, A., & Ozkan, N. (2004). Corporate cash holdings: An empirical investigation of UK companies. Journal of Banking and Finance, 28(9), 2103–2134. https://doi.org/10.1016/j.jbankfin.2003.08.003

Prencipe, A., Bar-Yosef, S., Mazzola, P., & Pozza, L. (2011). Income smoothing in family-controlled companies: Evidence from Italy. Corporate Governance: An International Review, 19(6), 529–546. https://doi.org/10.1111/j.1467-8683.2011.00856.x

Schulze, W. S., Lubatkin, M. H., Dino, R. N., & Buchholtz, A. K. (2001). Agency Relationships in Family Firms: Theory and Evidence. Organization Science, 12(2), 99–116. https://doi.org/10.1287/orsc.12.2.99.10114

Shleifer, A., & Vishny, R. W. (1989). Management Entrenchment: The Case of Manager-Specific Investments. Journal of Financial Economics, 25, 123–139. https://doi.org/10.1016/0304-405X(89)90099-8

Zellweger, T. M., & Astrachan, J. H. (2008). On the emotional value of owning a firm. Family Business Review, 21(4), 347–363. https://doi.org/10.1177/08944865080210040106

Zellweger, T. M., Kellermanns, F. W., Chrisman, J. J., & Chua, J. H. (2012). Family control and family firm valuation by family CEOs: The importance of intentions for transgenerational control. Organization Science, 23(3), 851–868. https://doi.org/10.1287/orsc.1110.0665

Downloads

Publicado

27-05-2026

Como Citar

Barros, M. G., & Silva, C. A. T. (2026). Retenção de caixa e desempenho econômico: o papel da riqueza socioemocional na distinção entre empresas familiares e não familiares. Revista De Educação E Pesquisa Em Contabilidade (REPeC), 20. https://doi.org/10.17524/repec.v20.e3721