Gestão de conflitos interculturais: validação de instrumento e implicações para organizações contemporâneas

08-04-2026

A gestão de conflitos tem se consolidado como um tema central para organizações contemporâneas, especialmente em contextos marcados pela diversidade cultural e pela complexidade das relações de trabalho. Nesse cenário, o estudo de Neves, Lucena e Lima oferece uma contribuição relevante ao validar um instrumento amplamente reconhecido na literatura internacional para o contexto brasileiro.

A pesquisa parte do entendimento de que os conflitos são inerentes às interações organizacionais, podendo emergir de fatores como interesses divergentes, falhas de comunicação e dinâmicas culturais distintas. Longe de serem exclusivamente negativos, os conflitos, quando bem geridos, podem representar oportunidades de aprendizado, inovação e aprimoramento das relações profissionais .

Ao adaptar e validar o modelo de Thomas-Kilmann, o estudo evidencia que não existe um único estilo ideal de gestão de conflitos. Pelo contrário, a eficácia na condução dessas situações depende da capacidade dos indivíduos de mobilizar diferentes estratégias de acordo com o contexto, os objetivos organizacionais e as características culturais envolvidas. Os resultados apontam para a heterogeneidade dos estilos utilizados pelos profissionais contábeis, reforçando a necessidade de flexibilidade e inteligência emocional na gestão de conflitos .

Do ponto de vista metodológico, o trabalho se destaca pelo rigor no processo de adaptação transcultural do instrumento, incluindo tradução, validação de conteúdo e testes empíricos de confiabilidade. Essa abordagem garante a adequação do modelo às especificidades do contexto brasileiro, ampliando seu potencial de aplicação em pesquisas futuras e em ambientes organizacionais.

Além disso, o estudo traz implicações relevantes para a prática profissional, ao oferecer uma ferramenta diagnóstica que pode apoiar o desenvolvimento de políticas organizacionais voltadas à mediação de conflitos, ao fortalecimento das relações interpessoais e à construção de ambientes de trabalho mais colaborativos e produtivos.

Ao integrar contabilidade, comportamento organizacional e diversidade cultural, o artigo amplia o escopo da pesquisa contábil contemporânea e contribui para o avanço do conhecimento sobre gestão de pessoas em contextos complexos.

A REPeC parabeniza os autores pela relevância e qualidade do trabalho e convida toda a comunidade acadêmica e profissional a conhecer este importante estudo.