Segurança cibernética, narcisismo e contabilidade: como fatores comportamentais influenciam a percepção de custos de violação

2026-03-18

A crescente relevância da segurança cibernética no ambiente organizacional tem trazido novos desafios para a contabilidade, especialmente no que se refere à identificação, mensuração e evidenciação dos custos associados a violações de dados. Nesse contexto, o estudo de D’Souza e Amaral oferece uma contribuição inovadora ao integrar aspectos comportamentais — como traços de personalidade — à análise contábil desses eventos.

A pesquisa examina como estudantes e profissionais da área contábil percebem e classificam os custos de violação, distinguindo entre custos diretos, indiretos e de oportunidade. Os resultados evidenciam que ainda há dificuldades relevantes na correta classificação desses custos, o que pode comprometer a qualidade das informações contábeis e a tomada de decisão.

Um dos principais achados do estudo é o papel da consciência sobre segurança cibernética: indivíduos com maior nível de conhecimento e conscientização tendem a apresentar melhor compreensão dos impactos financeiros decorrentes de ataques cibernéticos, reforçando a importância da educação e da formação profissional nessa área. Como destacado no artigo, essa consciência é fundamental para melhorar a capacidade de identificação e divulgação desses custos nas demonstrações contábeis .

Adicionalmente, o estudo analisa o efeito do traço de personalidade narcisista, revelando resultados distintos entre estudantes e profissionais. Enquanto entre estudantes não se observa influência significativa, entre profissionais há evidências de que indivíduos com maiores traços narcisistas tendem a relatar maior conhecimento sobre os impactos dos custos de violação, ainda que isso não necessariamente se traduza em melhor classificação desses custos.

Outro ponto relevante refere-se às implicações educacionais do estudo. Os autores destacam a necessidade de maior inserção de conteúdos relacionados à segurança cibernética nos cursos de Ciências Contábeis, bem como o desenvolvimento de habilidades que permitam aos futuros profissionais compreender os riscos digitais e seus efeitos financeiros.

Ao articular contabilidade, tecnologia e comportamento humano, o artigo amplia o escopo da pesquisa contábil contemporânea e contribui para o debate sobre o papel do contador em um ambiente cada vez mais digital e sujeito a riscos cibernéticos.

A REPeC parabeniza as autoras pela relevância e qualidade do trabalho e convida toda a comunidade acadêmica e profissional a conhecer este importante estudo.