ADOÇÃO DO PADRÃO IRFS NO BRASIL: IMPACTO DO CUSTO ATRIBUÍDO NO GRAU DE ENDIVIDAMENTO (GE) E NO RETORNO SOBRE O ATIVO (RSA) DAS EMPRESAS

  • Jose Antonio França Professor Adjunto da Universidade de Brasília (UnB)
  • George Henrique de Moura Cunha Diretor do Departamento de Economia da Universidade Católica de Brasília (UCB)
  • Danial Pereira Cunha
Palavras-chave: Valor Justo. Custo Atribuído. Grau de Endividamento (GE). Retorno sobre o Ativo (RSA). Adoção do Padrão IFRS.

Resumo

A adoção das normas internacionais de contabilidade no Brasil permitiu que empresas avaliassem itens do ativo imobilizado ao valor justo, utilizando o deemed cost (custo atribuído), como procedimento autorizado a emprestar nova tradução monetária a esses itens, tendo como contrapartida o patrimônio líquido e eventuais reflexos no passivo. Essa permissão foi restrita ao ano da adoção inicial ao padrão International Financial Reporting Standards (IFRS), sendo vedado seu uso para períodos subsequentes. Como a atualização monetária do custo dos ativos não monetários das empresas havia sido revogada há mais de uma década, a adoção do custo atribuído sinalizaria uma possibilidade de recomposição de valor e que esse procedimento poderia alterar a magnitude dos indicadores estruturais do estado patrimonial das empresas. Nesse contexto, o objetivo do artigo é investigar e evidenciar se a utilização do custo atribuído pelas empresas brasileiras listadas na BM&, na adoção inicial do padrão IFRS, no exercício de 2009, alterou, significativamente, o quantum dos indicadores estruturais Grau de Endividamento (GE) e Retorno sobre o Ativo (RSA). Para a obtenção dos resultados, foram utilizados modelos quantitativos sustentados na análise da variância por meio de teste de médias, na matriz de correlação de Pearson e nas estatísticas descritivas. Os resultados, com confiança de 95%, sugerem que, estatisticamente, a utilização do custo atribuído no Brasil não foi atrativa para as empresas, não produziu alterações significativas no Grau de Endividamento (GE) e no Retorno sobre Ativo (RSA) e não revelou subavaliação significativa dos ativos fixos corporativos.

Biografia do Autor

Jose Antonio França, Professor Adjunto da Universidade de Brasília (UnB)
Doutor em Contabilidade pela Universidade de Brasília (UnB)
George Henrique de Moura Cunha, Diretor do Departamento de Economia da Universidade Católica de Brasília (UCB)
Doutor em Ciências Econômicas pela Universidade de Brasília (UnB)
Danial Pereira Cunha
Especialista em controladoria e Finanças pela Universidade de Brasília (UnB)

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Publicado
21-05-2014
Como Citar
França, J. A., Cunha, G. H. de M., & Cunha, D. P. (2014). ADOÇÃO DO PADRÃO IRFS NO BRASIL: IMPACTO DO CUSTO ATRIBUÍDO NO GRAU DE ENDIVIDAMENTO (GE) E NO RETORNO SOBRE O ATIVO (RSA) DAS EMPRESAS. Revista De Educação E Pesquisa Em Contabilidade (REPeC), 8(2). https://doi.org/10.17524/repec.v8i2.1037
Seção
Artigos